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riscos_e_rabiscos

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O Cão Atropelado.

O autocarro chega à minha paragem e eu preparo-me para descer. À medida que a porta do autocarro se abre e eu vou descendo as escadas, vejo um cãozinho a correr para o meio da estrada, um carro a dar-lhe uma pancada e o pobre bichinho a correr desorientado e a ganir. Estava tão desorientado que tentou entrar para uma porta de escada que estava fechada e onde bateu com a cabecinha com toda a força. Voltou novamente a correr desorientado.

 

Eu fiquei danada porque o filho da put@ que atropelou o bicho, nem sequer teve a dignidade de parar o carro. Não, seguiu o caminho feliz e contente, borrifando-se para o caso. Afinal aqui quem foi o animal?

É claro que eu não podia deixar de ir à procura do bicho. Percebi pelas fracções de segundos em que lhe pus a vista em cima, que o bicho não era de rua (mesmo que fosse, fazia o mesmo). Fui à procura do bichinho e fui perguntando às pessoas da rua - que também viram mas não se incomodaram - se alguém conhecia o bichinho ou o dono. Ninguém conhecia.

 

Fui subindo a rua à procura do bicho e a pensar com os meus botões o que iria fazer caso ninguém conhecesse o dono. Finalmente encontrei o cãozinho. Estava encostadinho ao canto de uma porta da escada cheio de medo. Aproximei-me dele a falar com meiguice e a esticar a mão para ver se ele me deixava fazer-lhe uma festinha. O pobreziznho estava com tanto medo e desorientado que até me deu beijinhos na mão. Eu continuie a acalmá-lo e a fazer-lhe festinhas enquanto contava a quem estava ali o sucedido e perguntava se alguém conhecia o bicho ou o dono.

 

Passados uns minuto aparece uma miúda ao telemóvel. "Já o achei, está aqui", ouvi a miúda dizer e perguntei se era dela. Ela disse-me qualquer coisa mas o discurso era esquisito e a miúda tinha qualquer problema de fala, ficando eu sem perceber se o cão era dela ou não. Só sei que ela me dise que tinha de ir buscar o irmão à escola. Eu disse para ir que eu ficava ali com o bichito. E foi aí que apareceu a verdadeira dona do cão. "Ah ele fugiu-me, soltou-se da trela enquanto eu estava ao telemóvel", disse-me ela.

 

De seguida disse-me, mostre-me lá a trela para ver se é ele. Até me caiu o queixo aos pés e o coração ficou apertado. Então eu não conhecia os meus bichinhos nem que fosse só ao ver uma unha?!?! E mais, o meu Pimentinha até tem uma coleira igualzinha ao do bichinho atropelado e sei que não se solta facilmente porque os metais são fortes. A conversa ao telemóvel é que devia ser tão interessante que a miúda deve ter ido parar ao mundo da lua e esteve a borrifar-se para o resto. Miúdas irresponsáveis que devem pensar que os bichos são peluches!

 

Depois expliquei-lhe o sucedido e disse que tinha sido atropelado. Não se preocupou nada. Pegou no bicho ao colo e nem uma festinha lhe fez. E como o bicho não se queixou a miúda disse "já está bom...". Eu alertei-a que o bicho agora não tinha dores porque estava quente mas quando arefecesse devia começar a mostrar alguma queixa, para estar alerta.

 

E pronto, lá foi a miúda com o tobias - era este o nome e tinha 4 meses - como se nada tivesse acontecido. E eu vim para casa com o coração apertado e apensar que se um bichinho meu fosse atropelado eu estaria em frangalhos. Mas se calhar sou eu que sou parva. Mas não me importo de ser assim.

 

 

Pescadinha de Rabo na Boca

                           

 

Diz o povo que “há dias que mais valia não sair de casa”. E como sempre, o povo tem razão. E ontem foi um dia desses. Pelo menos para mim.

 

Aqui na minha zona existe um clube caseiro que promove várias actividades recreativas e desportivas. E, ao que parece, as “mostras” das actividades foram todas marcadas para esta altura. Ou seja para o verão. E mais importante: para as horas de maior calor!!!

 

Saí eu de casa toda fresca e airosa para ir buscar a minha mãe, à casa de repouso onde a minha tia está, e ir lanchar. Chego a uma das ruas principais e só vejo polícia. O N. comenta comigo que deve ter havido martelada mas eu respondo-lhe que não me parece, que aquele policiamento deveria ser para controlar o trânsito para alguma corrida.

 

Ora nem mais! O senhor policeman manda-nos aguardar enquanto passam meia dúzia de corredores esfalfados. Seguimos caminho e fomos buscar a minha mãe. Eu estava a morrer de dores de cabeça (para variar!) mas entrei para dar um beijinho à minha tia e trazer a minha mãe. Rumámos a casa para irmos atacar um belo lanche (eu era mais café!) no café quando, ao chegarmos aqui à zona, apanhamos com o trânsito todo cortado. Excelente, lindo mesmo!

 

Dez minutos de espera. Meia dúzia de corredores passam, mais mortos que vivos devido ao calor que se fazia sentir às quatro da tarde. Uns apenas caminham porque a dor-de-burro aperta, outros já não podem com um gato pelo rabo.

 

Sinal para o trânsito avançar. Mas apenas encostados à direita. Cumprimos. Entretanto surge-nos a questão: e como viramos para a esquerda (que era por onde devíamos seguir)? Não viramos! O senhor policeman não deixa! Alternativa: dar a volta no sinal da bomba de gasolina. Lá fomos. Abre o sinal mas é impossível avançar… a faixa para onde temos de entrar está parada por ordem do senhor policeman!!! Continuamos a aguardar. E a assar!

 

Mais uma vez abre o sinal e o trânsito escoa. Nós seguimos na fila. Nova paragem. Decidimos cortar para outra rua na esperança de podermos safar-nos às paragens forçadas, indo em frente.

Argh! Nova paragem ordenada pelo senhor policeman! Esteve quase a dar-me 3 coisas más!

 

É que eu já nem fui ao café. Só queria mesmo ir para casa. É que, entretanto, eu tinha ido buscar um escadote e andava a passeá-lo estrada fora. O N. só dizia: espero que não impliquem com o escadote. Eu disse-lhe que se implicassem ainda ouviam duas ou três verdades. É que andava a percorrer as ruas todas por que me mandavam parar e queria ir para casa e não conseguia passar!!!

Numa hora fiz um trajecto que se faz num 1 minuto… Podiam ter avisado que o trânsito ia ficar condicionado, não?!